Cremação Fonte: SEI - SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES Boletim Semanal nº 1953
http://www.lfc.org.br/sei/boletim.htm
A
incineração dos despojos físicos de algumas personalidades públicas, ocorrida há pouco tempo, trouxe novamente à baila a questão da cremação. As dúvidas e os debates em torno do tema, no entanto, não são recentes. Nos idos de 1950, a imprensa brasileira divulgou a divergência entre duas fortes correntes da sociedade, que debatiam a prática ou não da cremação nos cemitérios administrados por conhecida instituição filantrópica no Rio de Janeiro. A situação foi também abordada pelo Espírito Humberto de Campos – utilizando-se do pseudônimo Irmão X – que, valendo-se do médium Francisco Cândido Xavier, transmitiu uma mensagem em que apresentava a opinião, sobre o assunto, dos companheiros que já haviam feito a grande travessia para o Além. A mensagem foi recebida no dia 26 de julho de 1952, em reunião pública no Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, e nove dias após ser divulgada ocorreu o veto, por parte do então prefeito do Distrito Federal, do Projeto de Lei da Câmara dos Vereadores que liberava a cremação. A mensagem, de elevado valor histórico, foi publicada no livro “Taça de Luz”, da Lake – Livraria Allan Kardec Editora (telefone [11] 3229-0526), que reúne textos psicografados por Chico Xavier. Diz assim:
“Observada do plano espiritual a celeuma no Rio de Janeiro, em torno da incineração dos cadáveres, a ser estabelecida por lei, reparamos que o assunto não é realmente para rir.
De um lado, temos os legisladores preocupados com a terra dos cemitérios e, de outro, as autoridades eclesiásticas lançando a excomunhão sobre os responsáveis pelo movimento inovador. Entre os atores da peça, vemos os defuntos de amanhã, sorridentes e bem-humorados, apreciando a pugna entre a igreja e a edilidade carioca.
Aqueles, como nós, que já atravessaram a garganta da sombra, seguem a novidade, com a apreensão das pessoas mais velhas, à frente de um parque de crianças.
O problema da cremação do corpo, realmente, deveria merecer mais demorado estudo nos gabinetes legislativos.
Há muito caminho por andar, antes que o homem comum se beneficie com a verdadeira morte.
A cessação dos movimentos do corpo nem sempre é o fim do expressivo transe.
O túmulo é uma passagem especial, a cujas portas muitos dormem, por tempo indeterminado, criando forças para atravessá-las com o preciso valor.
Morrer não é libertar-se facilmente.
Para quem varou a existência na Terra entre abstinência e sacrifícios, a arte de dizer adeus é alguma coisa da felicidade ansiosamente saboreada pelo Espírito, mas para o comum dos mortais, afeitos aos ‘comes e bebes’ de cada dia, para os senhores da posse física, para os campeões do conforto material e para os exemplares felizes do prazer humano, na mocidade ou na madureza, a cadaverização não é serviço de algumas horas. Demanda tempo, esforço, auxílio e boa-vontade.
Por trás da máscara mortuária, muitas vezes, esconde-se a alma, inquieta e dolorida, sob estranhas indagações, na vigília torturada ou no sono repleto de angústia.
Para semelhantes viajores da grande jornada, a cremação imediata do comboio fisiológico será pesadelo terrível e doloroso.
Eis porque, se pudéssemos, pediríamos tempo para os mortos.
Se a lei divina fornece um prazo de nove meses para que a alma possa nascer ou renascer no mundo com a dignidade necessária, e se a legislação humana já favorece os empregados com o benefício do avisoprévio, por que razão o morto deve ser reduzido à cinza com a carne ainda quente?
Sabemos que há cadáveres, dos quais, enquanto na Terra, estimaríamos a urgente separação, entretanto, que mal poderá trazer aos vivos o defunto inofensivo, sem qualquer personalidade nos cartórios? Não seria justo conferir algumas semanas de preparação e refazimento ao peregrino das sombras, para a desistência voluntária dos enigmas que o afligem na retaguarda?
Acreditamos que ainda existe bastante solo no Brasil e admitimos, por isso, que não necessitamos copiar costumes, em pleno desacordo com a nossa feição espiritual.
Meditando na pungente situação dos recém-desencarnados, no Rio, observo quão longe vai o tempo em que os mortos eram embalados com a doce frase latina ‘Requiescant in pace’.
Não basta agora o enterro pacífico! É imprescindível a apressada desintegração dos despojos! E se a lei não for suavizada com a quarentena de repouso e compaixão para os desencarnados, na laje fria de algum necrotério acolhedor, resta aos mortos a esperança de que os saltitantes conselheiros da cremação de hoje sejam amanhã igualmente torrados.”
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As informações do Irmão X foram corroboradas por Emmanuel, na questão 151 do livro “O Consolador”, também psicografado por Chico Xavier:
“Na cremação, faz-se mister exercer a piedade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o ‘tônus vital’, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material”.
Também no capítulo 18 do livro “Chico Xavier: dos hippies aos problemas do mundo”, publicado pela Livraria Allan Kardec Editora (Lake), o médium mineiro se reporta à orientação de Emmanuel, aconselhando um período mínimo de 72 horas para a cremação.
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