Compaixão faz bem Lincoln Barros de Sousa
Fonte: http://www.feparana.com.br
“Sentir compaixão por um colega de trabalho é bom para ele, para você e sua carreira. Quem diz isso é a psicóloga americana Jane Dutton” (*)
Em função de um drama familiar vivido por Jane Dutton em 1990, quando trabalhava na Universidade de Michigan, ela decidiu pesquisar os efeitos da compaixão no ambiente de trabalho. “Eu queria entender como este sentimento ajuda a curar a dor das pessoas”. Ela estudou 150 casos e, após tabular os dados, descobriu que existem basicamente três maneiras de alguém demonstrar compaixão na empresa: oferecendo apoio emocional, sendo mais flexível em relação ao trabalho de outra pessoa (aumentar o prazo de entrega de um projeto é um bom exemplo) ou doando bens materiais.
Para ela, “quem age com compaixão comanda a equipe de maneira mais eficaz, porque consegue o comprometimento do time. O ambiente de trabalho também ganha muito, porque as pessoas passam a se relacionar melhor umas com as outras. E os benefícios não param por aí: pesquisa do Institute for Social Research, dos Estados Unidos, revelou que aqueles que se compadecem da dor alheia sofrem menos depressão e estresse. Ou seja, a compaixão faz bem em todos os sentidos – no pessoal e no profissional. A compaixão melhora o ambiente de trabalho, reduz o turnover e aumenta o comprometimento das pessoas”.
“Se eu fosse definir a compaixão em poucas palavras, diria que é preciso perceber, sentir e, muito importante, responder à dor de quem sofre”, diz Jane. (Revista Você S.A., Abril de 2004) (1)
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É interessante observar que as idéias acima expostas estejam aflorando justamente no meio acadêmico e empresarial americano, cuja maior contribuição para o mundo tem sido na área do “cérebro”, dentro do papel definido para os Estados Unidos da América do Norte pelos operários de Jesus, para a nova civilização do futuro, conforme nos comenta o Espírito Emmanuel no livro A Caminho da Luz. (2)
O assunto é de vital importância, pois “sem compaixão não há caridade”(4) e, sabemos nós os espíritas que “fora da caridade não há salvação”. Isso porque Compaixão é Piedade, e esta é irmã da Caridade, como nos diz o Espírito Michel em O Evangelho Segundo o Espiritismo. (3)
O Espírito Cairbar Schutel nos faz um veemente convite a que sejamos compassivos, pois “a piedade é a simpatia espontânea e desinteressada que se antepõe à antipatia gratuita e desrespeitosa. Ela deve induzir-nos à prática do socorro moral e material, junto daqueles que no-la despertam, sem o que se torna infrutífera”. (4)
Além disso, sabemos que, “quando o sofrimento alheio não nos sensibiliza, a Orientação Divina estatui venhamos a experimentá-lo igualmente para avaliar a dor do próximo e nos predispormos a ampará-lo”. (4) A melhor medida será, então, que deixemos que a compaixão retifique em nós próprios os males que toleramos nos outros, aprendendo a auxiliar sempre. (5)
Diz-nos o Espírito Joanna de Ângelis que “são poucos os que a cultivam” (a compaixão), pois há a alegação generalizada de que não há qualquer compensação e que a retribuição quase sempre é com a ingratidão. “Que te importa, porém, se o ingrato for o outro?”, pergunta ela, que ainda acrescenta: “- O essencial é que sejas partícipe ativo na renovação social e espiritual da Terra”. (6)
Reportando-nos ao nosso papel no ambiente empresarial, podemos asseverar que, abençoados pela Ciência da Administração, certamente teremos à nossa disposição inesgotável biblioteca de temas que elucidem nosso entendimento e orientem as tarefas a que estejamos vinculados profissionalmente, facilitando a gestão dos negócios, próprios ou de nossos empregadores.
Entretanto, é necessário que – paralelamente e de forma predominante - a nossa inteligência seja dirigida pelas luzes do bem, do amor, da caridade, enfim.
Com tais assertivas, podemos concluir que se a compaixão faz bem, a coerência também. A harmonização entre o aprendizado da inteligência com o processo de aquisição de virtudes, naturalmente nos permitirá uma real e saudável convivência com todas as pessoas, em todos os ambientes, em qualquer momento, o que nos dará a paz de consciência decorrente do cumprimento de nossos deveres de amor ao próximo e a nós mesmos, habilitando-nos a elevar o coração ao Alto e dizer:
- “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós”. (Lucas 17-14)
(*) Jane Dutton é professora de Psicologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Bibliografia:
(1) VOCÊ S.A., Revista. Compaixão faz bem. 70 ed. São Paulo. Editora Abril, abril 2004, p. 66.
(2) XAVIER, Francisco Cândido. Missão da América.In__A Caminho da Luz, 23ª. Ed. Brasília (DF). FEB, 1998. p 173.
(3) KARDEC, Allan. Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita. In__O Evangelho segundo o Espiritismo, 120ª. Ed. Brasília (DF). FEB, 2002, Cap. XIII, item 17. p. 229.
(4) XAVIER, Francisco Cândido. VIEIRA, Waldo. Sê Compassivo. In_O Espírito da Verdade, 5ª.ed. Brasília (DF). FEB, 1985. p.219.
(5) XAVIER, Francisco Cândido. Doenças da Alma. In__Justiça Divina, 6ª.ed. Brasília (DF). FEB. 1987. p. 114.
(6) FRANCO, Divaldo Pereira. Convite à Compaixão. In:__. Convites da Vida, 7ª. ed. Salvador: LEAL, 1972. p.31.
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