Na Hora da Paciência
Quando os
acontecimentos surjam convulsionados compelindo-te a seguir para a frente,
como se estivesses sob tormenta de fogo...
Quando a manifestação
da crueldade te faça estremecer de sofrimento...
Quando o assalto das
trevas te deixe as forças transidas de aflição...
Quando o golpe em teu
prejuízo haja partido das criaturas a que mais te afeiçoas...
Quando a provação
apareça, a fim de demorar-se longo tempo contigo, em função de doloroso
burilamento...
Quando a ignorância te
desafie, ameaçando-te o trabalho...
Quando o afastamento de
amigos queridos te imponha solidão e desencanto...
Quando contratempos e
desarmonia no lar te forcem a complicadas travessias de angústia...
Quando a tentação te
induza à revolta e revide, na hora em que a injúria te cruze os passos...
Quando, enfim, todas as
tuas idéias e aspirações alusivas ao bem se mostrem supostamente
asfixiadas pela influência transitória do mal...
Então haverás chegado
ao teste mais importante do cotidiano, a configurar-se no testemunho da
paciência.
Saberás desculpar e
abençoar, agir e construir em paz nessa preciosa quão difícil oportunidade
de elevação, que a experiência te aponta à frente.
E não digas que a
serenidade expresse fraqueza, ante os cultores da violência, qual se não
tivesses brio para a reação necessária, porque é preciso muito mais
combatividade interior para dominar-se alguém no colher ofensas e
esquecê-las do que para assacá-las ou devolvê-las, a detrimento do
próximo.
Capacitemo-nos de que
entre agredir e suportar, o equilíbrio e a força de espírito residem com a
paciência sempre capaz de agüentar e compreender, servir e recomeçar,
incessantemente, o trabalho do bem nas bases do amor para que a vida
permaneça, sem qualquer solução de continuidade, em luminosa e constante
ascensão.
Emmanuel
(Extraído do livro Coragem psicografado por Chico
Xavier)