Domínio
Espiritual
Nos
transes aflitivos a critatura demonstra sempre onde se localizam as forças
exteriores que lhe subjugam a alma.
Nas
grandes horas de testemunho, no sofrimento ou na morte, os avarentos clamam
pelas posses efêmeras, os arbitrários exigem a obediência de que se
julgam credores, os super-sentimentalistas reclamam o objeto de suas afeições.
Jesus,
todavia, no campo supremo das últimas horas terrestres, mostra-se absoluto
senhor de si mesmo, ensinando-nos a sublime identificação com os propósitos
do Pai, como o mais avançado recurso de domínio próprio.
Ligado,
naturalmente às mais diversas forças, no dia do Calvário não se prendeu a
nenhuma delas.
Atendia
ao governo humano lealmente, mas Pilatos não o atemorizava.
Respeitava
a lei de Moisés; entretanto, Caifás não o impressionava.
Amava
enternecidamente os discípulos; contudo, as razões afetivas não lhe
dominavam o coração.
Cultivava com
admirável devotamento o seu trabalho de instruir e socorrer, curar e consolar;
no entanto, a possibilidade de permanecer não lhe seduzia o
espírito.
O
ato de Judas não lhe arrancou maldições.
A
ingratidão dos beneficiados não lhe provocou desespero.
O
pranto das mulheres de Jerusalém não lhe entibiou o ânimo firme.
O
sarcasmo da multidão não lhe quebrou o silêncio.
A
cruz não lhe alterou a serenidade.
Suspenso
no madeiro, roga desculpas para a ignorância do povo.
Sua
lição de domínio espiritual é profunda e imperecível. Revela a
necessidade de sermos "nós mesmos", nos transes mais escabrosos da
vida, de consciência tranqüila elevada à Divina Justiça e de coração
fiel dirigido pela Divina Vontade.
Emmanuel
(Extraído
do livro Caminho, Verdade e Vida, psicografado por Chico Xavier)